Tire suas dúvidas sobre a cesárea

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 56% dos nascimentos no Brasil são por cesáreas – e 84,6% na rede privada.

Este percentual crescente vai à contramão do recomendado pelo órgão internacional, cuja orientação é que fique entre 10% e 15%. Por segurança e até mesmo comodidade, muitas gestantes preferem esta via, a qual pode ser programada e evita as dores comuns do parto.

Amplamente procurada pelas futuras mamães, a cesárea ainda provoca muitas dúvidas, sobretudo na preparação para a cirurgia. “A operação dura de uma hora a uma hora e meia. Uma das maiores questões é quanto à anestesia: ela não faz a mulher dormir, justamente para acompanhar o nascimento do filho. Inclusive, ela também serve apenas para retirar a dor, permitindo sensações de tato”, esclarece Paulo Nowak, membro da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP).

Anestesia

Causa da principal aflição das que decidiram pela cesariana, a raquidiana, apelidada de ráqui, é aplicada entre as vértebras da coluna, após o profissional passar um anestésico local, inibindo a dor da picada. Diferentemente da peridual, utilizada para partos normais, ela possui ação imediata, dosada uma única vez e com duração limitada.

Alguns dos sintomas pós-parto são efeitos colaterais da anestesia, como enjoo. “Pode ser desde efeito da ráqui, até a posição de barriga para cima, podendo causar vômitos. Além disso, também nos deparamos com quadros de tremedeiras – a anestesia faz com que a mulher perca mais calor pela dilatação dos vasos sanguíneos da pele”, explica.

Nowak também informa que é normal a pressão cair na primeira levantada após o parto: “Existem várias causas para isso, incluindo a perda sanguínea, a anestesia e o longo período deitada. O ideal é levantar devagar e com auxílio dos profissionais de enfermagem”.

Quanto à morfina, o obstetra alerta que pode causar coceira, principalmente na face. “A intensidade varia para cada mulher. Cerce de duas horas após a cirurgia a reação já diminui, caso contrário, é possível fazer uma medicação que funciona como antídoto”, diz.

Operatório

É importante manter a bexiga vazia e, para tanto, é colocada sonda uretral. “Sua aplicação é necessária, haja vista que a bexiga fica posicionada na frente do útero, e se estiver cheia vai atrapalhar a localização do mesmo e a retirada do bebê”, explica o obstetra.

Durante o procedimento é normal muitas mulheres reclamarem de um cheiro de queimado – de acordo com Nowak, o odor é atribuído ao bisturi e, ao contrário do que muitas julgam, todos da sala podem sentir o cheiro; é natural.

A recuperação total leva cerca de um ano, até estar apta a engravidar novamente – porém em 40 dias já é possível voltar às atividades diárias.

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